Pesquisar no Blog
humanização
Papo com VET

Humanização dos animais: como evitar exageros

A humanização dos animais de companhia é uma forma de “antropomorfismo”, palavra derivada do grego  “anthropo” – homem e “morfhe”-forma, que significa atribuir características humanas aos animais ou objetos inanimados.

A Humanização dos pets

A humanização dos pets pode ser grave, se exagerada e, cabe aos veterinários coibirem os excessos, alertando e orientando os proprietários quanto a esta prática.

Hoje o animal de companhia é visto, cada vez mais, como um membro da família, companheiro, participante da rotina da casa. Estão presentes em todas as situações – sejam alegres ou tristes – com isso, no intuito de devolver ao “pet” todo o amor e dedicação recebidos, muitos tutores acabam cometendo exageros e, assim, cruzando a linha da humanização.

Apesar de ser uma tendência de mercado vantajosa para o comércio e indústria pet, gerando mais receita, a humanização precisa ser avaliada com cuidado, pois a saúde deve vir sempre em primeiro lugar. Se não for possível evitar a humanização, que esta seja feita ao menos de uma forma mais consciente e menos invasiva.

Priorizar o Bem-Estar Animal

É fundamental para a saúde e o bem-estar do animal: mantê-lo ativo com adestramento positivo, proporcionando exercícios físicos, caminhadas e brincadeiras adequadas. É importante também, não privar o animal do seu instinto natural.

Acessórios da moda, tratamentos estéticos, passeios em carrinhos e bolsas, o uso de fraldas em nada acrescenta para o bem-estar animal. Um exemplos são tutores que deixam o seu animal usando fraldas por longos períodos, sem a real necessidade de tal uso, apenas para evitar urina em local inapropriado. Neste caso, o animal poderá desenvolver problemas renais, além de assaduras por contato.

Outro exemplo de exagero que posso citar, seria quando num passeio a um parque, os tutores preferem carregar seu animal no colo ou em bolsas ou carrinhos, para evitar que eles se sujem. Este comportamento pode ser prejudicial porque o animal precisa gastar energia.

Consequências da humanização

Algumas consequências do excesso de humanização são: transtornos de alimentação; transtornos de comportamento; crises de ansiedade; estresse; agressividade; latidos excessivos; mudança de conduta, locais inapropriados para as necessidades fisiológicas; destruição de móveis; automutilação; dificuldades de socialização.

A perda dos princípios de hierarquia também é preocupante. Isso porque quando os animais não associam seu tutor a um líder, eles passam a querer comandar e assim exercer a dominação.

Há limites para a humanização dos pets?

Foi-se o tempo em que roupinhas e sapatinhos eram os únicos produtos do tópico humanização. Atualmente os pet shops têm inúmeros produtos, desde perfumes até cervejas, vinhos, chocolates, tudo para cachorro.

Os produtos são todos adaptados ao paladar canino, sem teor alcoólico, com corantes naturais. Também passam por vários testes. Além de os fabricantes garantirem que não causam problemas relacionados à saúde. No entanto, a grande maioria deve ser usada com moderação.

Ok, não fará mal, mas cabe uma reflexão: será que não estamos exagerando na humanização dos nossos animais? Será mesmo necessário tantos produtos adaptados?

Por fim, a mensagem que fica é: ame seu companheiro, tente uma humanização mais consciente, respeitando a natureza dele, dando amor e carinho, mas respeitando os limites do bom senso.

*Michelle dos Santos Abreu – médica veterinária formada pela UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia). Atualmente atua e é proprietária da clínica Cães e Cia.

Leia também:

Vamos cuidar dos nossos pets idosos?

Cinesioterapia em animais

Vacinação consciente para cães

Sem Comentários

Deixe sua resposta