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Documentário avalia indústria de rações e faz alerta para tutores

Você tem acesso à plataforma Netflix? Se sim, não deixe de assistir ao documentário Pet Fooled, dirigido por Kohl Harrington. Este documentário americano foi produzido em 2016 e traz uma visão diferenciada do que assistimos todos os dias em comerciais sobre a indústria de alimentos para animais de estimação.

Com base em depoimentos de veterinários e tutores de animais, o documentário aborda alguns pontos importantes sobre a alimentação industrializada. Não queremos aqui, de jeito nenhum, nos posicionar contra ou a favor das rações comerciais. A ideia é apenas mostrar um outro lado, que poucos tutores têm acesso. Por isso, levantamos alguns pontos interessantes do Pet Fooled. Leia, assista ao documentário e tire suas próprias conclusões!

Problemas nas indústrias de rações

Poucos tutores sabem dos problemas existentes na indústria de rações. Como exemplo, o documentário cita um recall de rações ocorrido nos Estados Unidos, em 2007, por conta da contaminação de um ingrediente tóxico chamado “melamina”, um tipo de fertilizante! O consumo destas rações matou milhares de cachorros na época.

Segundo as veterinárias entrevistadas, Bárbara Royal e Karen Becker, até então, não se questionava muito a qualidade das rações nos Estados Unidos. Mas será que isso mudou muito hoje?

Rótulos cheios de promessas

Umas das maiores críticas das veterinários entrevistadas pelo documentário, é que os rótulos de ração prometem muitas coisas que não podem cumprir. E não há uma legislação específica para combater o que poderia, na maioria dos casos, ser considerada uma propaganda enganosa, como “limpa os dentes”, “mantém o peso saudável”, “alimento natural”, “orgânico”.

A veterinária Bárbara Royal

Este mercado é autorregulado. Isso quer dizer que as “normas e procedimentos de fiscalização são criados por entidades privadas para fazer cumprir as práticas equitativas de mercado e manter padrões éticos nas operações de seus associados”.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet),  o Brasil é um exportador competitivo de alimento completo para animais de estimação e que segue acordos internacionais (com o Certificado Sanitário Internacional – CSI, documento exigido para garantir a boa procedência dos insumos utilizados na fabricação do produto e o cumprimento das regras de higiene), e os critérios estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Se nos Estados Unidos a regulamentação da comida animal ainda é fraca, podemos imaginar que por aqui também seja. E não precisa ir muito longe para ler notícias de alimentos humanos adulterados, como a carne e o leite, imaginem o alimento consumido pelos pets?

A opinião de muitos veterinários que são adeptos da Alimentação Natural (AN) é que, assim como nos Estados Unidos, os alimentos industrializados no Brasil são responsáveis pelo surgimento de diversas enfermidades como obesidade, diabetes, artrite, infecções crônicas de pele, alergias e outras.

O que está por traz dos rótulos bonitos e com design atrativo?

Seja sincero: você lê o rótulo da ração que está comprando para o seu pet? Se sim, você consegue entender alguma coisa? Segundo o documentário, alguns termos usados nos rótulos de rações podem confundir o tutor na hora de fazer a escolha do alimento. Veja alguns exemplos citados no documentário:

Subprodutos: é o que sobra do abate de animais e que não é utilizado na alimentação humana, como músculos, ossos, cartilagens e ossos. Muitas vezes, estes “restos” seriam somente utilizados para a produção de velas, sabão e cosméticos.

Nugget / dinner / formula: não apresentam mais que 25% de carne (proteína) em sua composição.

Flavour: quando utilizada esta palavra, indica que o alimento contém apenas aromatizantes de carne (O% de carne em sua composição).  Isso ocorre muito com proteínas mais caras, como salmão e atum.

“Beef dog food” ou “Chicken dog food”: aí sim seria uma composição com 95% de carne de boi ou frango.

“Natural“: segundo as regras da Association of American Feed Contral Officials (AAFCO), é “um alimento ou ingrediente derivado de plantas ou fontes minerais, em estado não processado ou tendo sido sujeito ao processamento físico, térmico, renderização, purificação ou extração”. Assim, seria mesmo natural como você interpretou?

Orgânico: apenas 3% dos componentes precisam ser orgânicos.

Muitas vezes, as promessas ficam apenas nas embalagens. Dificilmente encontramos carne de verdade e, quando está presente, a porcentagem é muito baixa. Cães e gatos são carnívoros e a proteína animal é indispensável para eles!

Leia este artigo científico mostrando que carnes de espécies animais não discriminadas nos rótulos das rações estão frequentemente presentes nas formulações.

E por quê muitos veterinários ainda recomendam a ração?

A maioria dos veterinários aprendeu sobre alimentação industrializada na faculdade! Os profissionais que,  trabalham com a alimentação natural tiveram que buscar informações em cursos e especializações depois de formados. Aliado a isto está o fato de que a força das marcas de rações está presente no mercado e fugir disso é complicado.

A Abinpet reconhece a existência de profissionais que defendem a dieta natural para pets, por serem produtos mais nutritivos, mas ressalta que “estudos clínicos comprovam que esse tipo de alimento não fornece todos os nutrientes necessários, além de possivelmente conterem bactérias perigosas aos pets e aos proprietários”.

A veterinária Karen Becker

Por outro lado, as veterinárias do documentário colocam que mesmo nos estudos realizados e financiados pelas marcas de rações, não existem dados para saber os efeitos do alimento seco e industrializado no organismo dos pets ao longo dos anos. Outro ponto destacado é a validade quase infinita das rações: algumas delas podem chegar a 25 anos de duração! Isso acontece porque as rações industrializadas possuem conservantes  nocivos à saúde de humanos e animais, como o BHT.

Leia este artigo sobre alimentação natural x rações para pets!

O que é preciso saber sobre as rações industrializadas

Excesso de grãos: milho, trigo e soja. Ainda mais quando são transgênicos! Segundo o site  site Cachorro Verde, o carboidrato simples em excesso vira açúcar no organismo, causando obesidade, diabetes, infecções crônicas.

Transgênicos: são baratos e estão presentes na maioria das rações. Você pode saber só de olhar o rótulo em que está presente aquele “T” preto dentro de um triângulo amarelo!

Conservantes BHA e BHT: pesquisas apontam que o BHT e BHA podem causar danos à saúde, podendo ser cancerígenos, se usados constantemente em uma quantidade muito grande, já que ele induz as modificações no DNA.

Estabilizantes: mantém a aparência e as condições físicas do alimento para que ele se mantenham crocantes, sem murchar, etc.

Aromatizantes: passam a sensação de que o alimento é mais gostoso, pois aumentam o sabor e o cheiro artificial.

Corantes: realçam a cor do alimento, criando uma aparência mais “bonita”, mas que nem sempre é sinônimo de saudável.

Não deixe de pesquisar antes de oferecer qualquer tipo de alimento ou dieta para o seu pet. E nunca ofereça uma dieta sem a orientação de um veterinário especializado em nutrição. Só assim você poderá ajudar a garantir mais longevidade para o seu peludo!

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